Vestido de Homem (ou sobre o judiciário)

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Foto: Reprodução

*Ricardo Antônio Fitz Pereira 

Uma mulher sai pelas ruas de ‘minissaia’ e escandaliza uma sociedade. O homem de poder diante do olhar de outra mulher diz: “eu nunca vi essa mulher, nunca tive qualquer contato com ela. Em outra cena umcriminoso pergunta ao policial se ele deve fugir ou não, como duas crianças que brincam de polícia e ladrão.

Havia um ‘costume’ (totem e tabu) em uma tribo “selvagem” que alimentava o seu líder espiritual depositando o alimento na boca deste, (como uma mãe que alimenta o bebê). Pois para esses “selvagens” o líder era tão especial que não deveria se ‘incomodar’ com tal demanda tão baixa e terrena que é manipular o alimento, assim como o primata que pega o fruto da árvore e come. O líder sendo alimentado na boca exemplifica por excelência essa situação do ‘líder espiritual primitivoemuma situação de refém do soberano diante de seus súditos.

Voltaremos a falar disso ao final desse artigo, pois esse é o âmago de todo o nosso problema hoje em nosso país, o maior e mais nefasto: o Judiciário.

Sigmund Freud, O Pai da Psicanálise nos diz em:O TABU DOS SOBERANOS’; – “A atitude dos povos primitivos ante seus chefes, reis e sacerdotes é regida por dois princípios básicos, que parecem antes se complementar que se contradizer. É necessário protegê-los, mas também proteger-se deles”. Observem a regra da dualidade frente a figura de autoridade, pois não estamos nos protegendo dos nossos ‘ídolos’. Ainda que: A necessidade de proteger o rei de todo o perigo imaginável vem de sua enorme importância para o bem ou para o mal-estar dos súditos… sua pessoa regula o curso da vida; seu povo tem de lhe agradecer a chuva e a luz do Sol, que fazem crescer os frutos da terra…”. Somos tão diferentes dos povos primitivos no quesito ‘dependência’?! Pois o poder que atribuímos a eles são dessa ordem;“esses reis de povos selvagens têm o poder e uma capacidade de conferir benefício que são próprios apenas de deuses, e nos quais, em estágios posteriores da civilização, somente os mais servis dos cortesões fingirão acreditar”. Em quais dos poderes de nossa infeliz República vocês acham que estariam as criaturas mais servis(ser-vil)?! Mas vejam só oque o Tabu faz com o que é Totêmico: Esses também acham necessário vigiar seus reis, para que utilizem adequadamente seus poderes; eles não estão seguros das boas intenções e dos escrúpulos do rei”. Sempre achei que os antigos lidaram com problemas, vamos dizer antropológicos, bem melhor que nós seres pós-modernos tão elevamos.

Minha opinião é de que figuras de autoridade deveriam estar sobre constante regime de “cárcere”, e que entre os soberanos deveria haver um permanente estado de medida protetiva, em que não seria permitido a proximidade entre seus pares. O descumprimento acarretaria a aplicação da punição segundo um Tabu por excelência.

O judiciário deve ser ‘refém’ da sociedade, refém aqui no sentido antropológico, juízes devem receber o alimento na boca, mas em permanente estado de reféns como as tribos selvagens faziam com seus líderes. Como humanos sacrificados em ritos antropofágicos. Alguns líderes sequer limpavam a própria bunda. Necessidades básicas atendidas de forma ‘Cerimonial Divina! Vidas sociais restritas como a de um prisioneiro. O desespero humano prende Deus ao desespero dos humanos.

Imaginem um juíz, um promotor, sendo cuidadoscomo um bebê e, vigiados como um adolescente: quem vai nessa festa? Já te disse que não quero você andando com esse fulano e aquele beltrano! As 23h teu pai vai passar na frente, quero você em casa antes da meia noite, e nada de beber!.

Espiritualmente Gibran Khalil Gibran revelou a nós: “…vi o operário escravo do comerciante, e o comerciante escravo do militar, e o militar escravo do governante, e o governante escravo do rei, e o rei escravo do sacerdote e o sacerdote escravo do ídolo – e o ídolo: um punhado de barro, modelado pelos demônios e erguido sobre um montículo de crânios”.

Como diria o Romantismo Alemão e a Psicologia Analítica: “onde a luz é mais intensa as sombras são mais profundas”.

Toga, Travestismo e Deus. Amém!

 

*Psicanalista – @fitz_psicanalista

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