BM concluiu que não houve crime, mas Polícia Civil indicia sete PMs por morte de agricultor

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Foto: Reprodução

A Polícia Civil concluiu nesta quarta-feira (9) o inquérito sobre a morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, durante uma ação da Brigada Militar em Pelotas, e chegou a uma conclusão diferente da investigação realizada pela própria corporação. Enquanto o inquérito da BM apontou, em abril, que não houve crime na atuação dos agentes, a Polícia Civil indiciou sete policiais militares pelo caso.

Marcos foi morto na madrugada de 15 de janeiro, dentro da propriedade onde vivia com a família, na Estrada da Cascata, zona rural de Pelotas. Policiais militares chegaram ao local procurando integrantes de uma quadrilha, mas a informação que levou as equipes até a propriedade estava errada. O agricultor não tinha relação com os criminosos procurados.

Dos sete policiais indiciados pela Polícia Civil, quatro, sendo dois sargentos e dois soldados, são apontados como responsáveis pelos disparos. Eles foram indiciados por homicídio doloso, com dolo eventual, pela morte de Marcos, e por tentativa de homicídio, também com dolo eventual, contra Raquel Nörnberg, viúva do agricultor. Os crimes foram qualificados pelo uso de arma de calibre restrito.

Outros três policiais, integrantes do serviço de inteligência da Brigada Militar, foram indiciados como partícipes pelos mesmos crimes. Conforme a investigação, eles participaram da apuração das informações e da definição do endereço que levou as equipes policiais até a propriedade errada.

Investigações chegaram a conclusões diferentes

Em abril, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar havia concluído seu Inquérito Policial Militar sobre o episódio. Na ocasião, o entendimento foi de que não houve crime por parte dos policiais envolvidos.

A apuração interna da BM apontou, no entanto, graves falhas de planejamento e inteligência na operação. O inquérito militar considerou que os policiais teriam reagido após disparos efetuados pelo agricultor e praticamente acolheu a tese de legítima defesa apresentada pelos agentes.

A Polícia Civil, após analisar os elementos técnicos reunidos durante a investigação, chegou a uma conclusão diferente.

Segundo o delegado Gabriel Borges, responsável pelo inquérito, a tese de legítima defesa apresentada pelos policiais não se sustenta diante das provas analisadas.

Um dos pontos considerados fundamentais foi a dinâmica dos tiros. A perícia apontou que o primeiro disparo identificado partiu de um fuzil utilizado pelos policiais. Depois, foram constatados pelo menos outros 18 disparos de fuzil e um disparo de carabina, arma pertencente ao agricultor.

Marcos foi atingido por pelo menos sete tiros disparados pelos policiais militares.

A investigação também analisou dois ruídos que haviam sido apontados pelos policiais como possíveis tiros. Conforme a perícia, os sons não foram identificados como disparos.

Operação foi parar no endereço errado

A ação que terminou com a morte do agricultor começou a partir de informações sobre integrantes de uma quadrilha. Suspeitos presos no Paraná teriam fornecido dados sobre a localização de outros membros do grupo.

As informações acabaram levando os policiais até a propriedade da família Nörnberg. Conforme a Polícia Civil, os áudios utilizados para indicar o endereço não apresentavam elementos compatíveis com o sítio onde a operação foi realizada.

Na época do caso, o então comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli, reconheceu publicamente que houve um “grande equívoco” na ação.

Para chegar à conclusão apresentada nesta quarta-feira, a Polícia Civil analisou individualmente a atuação de 21 policiais militares. O inquérito utilizou mais de 20 exames periciais produzidos pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), incluindo análises balísticas, de áudio e imagens, exames laboratoriais, necropsia e reprodução simulada dos fatos.

A conduta do comandante da unidade também foi investigada. A Polícia Civil concluiu que ela não teve relação direta com o resultado da operação e entendeu que a decisão de efetuar os disparos foi individual dos policiais que atiraram.

Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que analisará o material produzido pela Polícia Civil e decidirá sobre as medidas judiciais cabíveis.

Fonte: SB News 

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