O Rio Grande do Sul deve ter uma primavera marcada por volumes de chuva acima da média histórica. A projeção é do Boletim de Consenso Climático para os meses de outubro, novembro e dezembro.
O cenário está relacionado à presença do El Niño, já estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial e com previsão de intensificação até o final do ano.
O fenômeno ocorre quando as águas do Oceano Pacífico apresentam temperaturas acima da média por um período prolongado.
Conforme o boletim, os efeitos devem ocorrer de forma gradativa sobre a circulação atmosférica no Rio Grande do Sul.
- O documento foi elaborado por pesquisadores do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (Cppmet) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos do Estado (Simagro) e Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Segundo o meteorologista Ricardo Gotuzzo, do Ciex, o fenômeno aumenta a possibilidade de períodos de instabilidade e episódios com volumes elevados de chuva durante a primavera.
— Para o Rio Grande do Sul, o cenário climático indica chuva acima da média no trimestre, inclusive na Zona Sul. Na prática, isso significa maior possibilidade de ocorrência de episódios de chuva volumosa e de instabilidades ao longo da primavera — explica.
A projeção indica precipitação bem acima da média histórica em todo o Estado durante o trimestre. Além do aumento dos volumes de chuva, os especialistas destacam maior risco para a ocorrência de tempo severo.
— Não é possível indicar, neste momento, um volume em milímetros para Rio Grande ou para um município específico. O prognóstico sazonal trabalha com a tendência de chuva em relação à média climatológica, em escala regional — comenta o meteorologista.
Segundo o meteorologista, uma estimativa mais precisa dos volumes e da intensidade das chuvas ocorre quando os eventos estão mais próximos.
— Os volumes e a intensidade de cada episódio são definidos com maior precisão pelas previsões de curto prazo, especialmente nos sete a 10 dias que antecedem os eventos — acrescenta.
Cheia da Lagoa dos Patos
Na Zona Sul, a atenção se volta especialmente para o sistema Mirim-Patos, apontado pelo boletim entre as áreas com risco para a ocorrência de alagamentos e inundações. A bacia do Rio Uruguai também aparece no documento como região que exige atenção.
— A resposta da lagoa depende de onde e quando ocorrerão as chuvas, dos volumes acumulados nas bacias contribuintes e também das condições hidrodinâmicas, incluindo a atuação dos ventos — afirma Ricardo Gotuzzo.
O meteorologista lembra que, em razão do elevado volume de chuva entre julho e agosto, o solo continua úmido, o que facilita a formação de alagamentos e inundações.
El Niño deve ganhar intensidade
As projeções apresentadas indicam 77% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte e 23% de chegar à categoria forte.
Um El Niño é considerado forte quando a anomalia da temperatura da superfície na região do Oceano Pacífico conhecida como Niño 3.4 fica entre 1,5°C e 2°C e muito forte quando supera 2°C.
Os mapas apresentados no boletim também indicam precipitação acima da média para o Estado em todo o trimestre, embora com diferenças na distribuição e intensidade.
Temperaturas também devem ficar acima da média
Além da chuva, a previsão aponta temperaturas pouco acima da média climatológica durante o trimestre de outubro a dezembro.
Os especialistas também ressaltam que as projeções são um prognóstico probabilístico sazonal. Isso significa que o cenário apresentado para os próximos três meses não substitui previsões meteorológicas e alertas de curto prazo emitidos pelos órgãos de Defesa Civil.
Fonte: GZH


















